Que perguntas fazer no início de um case?

Antes de desenhar uma estrutura, confirme qual decisão o cliente precisa tomar. Duas ou três perguntas que mudam a análise costumam ser mais úteis do que uma lista pronta de detalhes.

Resposta curta: reformule o objetivo e pergunte apenas o que altera seu primeiro passo: qual resultado importa, como ele é medido, em que período e quais limites não podem ser violados. Em seguida, explicite uma premissa para o que continuar desconhecido e avance.

O que uma pergunta precisa resolver

Uma pergunta de esclarecimento é útil quando duas respostas possíveis levariam a estruturas ou prioridades diferentes. “Queremos descobrir a causa ou decidir uma ação?” muda o trabalho. “Quantas filiais a empresa tem?”, sem explicar como esse número afeta a análise, pode esperar.

A orientação de preparação para cases da BCG, consultada em setembro de 2026, recomenda fazer perguntas ponderadas e esclarecer premissas. A página de entrevistas da McKinsey descreve o case como uma conversa sobre um problema de negócio e a forma de raciocinar. Nenhuma dessas fontes oferece um roteiro universal de perguntas; o filtro abaixo é um método de prática da Acey.

Use quatro filtros, sem ler uma lista em voz alta

  1. Decisão: o cliente quer diagnosticar uma mudança, escolher uma alternativa ou criar um plano?
  2. Métrica: “crescer” significa receita, lucro, volume, participação ou outra medida? Qual é a definição usada?
  3. Recorte: quais produtos, clientes, regiões e períodos entram na pergunta? A comparação usa a mesma base?
  4. Limites: há prazo, orçamento, capacidade ou condição que elimina certas opções?

Você não precisa perguntar os quatro em todo case. Se o enunciado já define o período, repeti-lo consome tempo sem reduzir incerteza. Escolha primeiro a ambiguidade que mais mudaria o caminho. Quando a resposta não estiver disponível, diga sua premissa e siga com uma análise que possa ser revisada.

Exercício resolvido: a rede de clínicas

Enunciado fictício: “Uma rede de clínicas teve menos agendamentos neste trimestre. O diretor quer recuperar o desempenho. O que você faria?” Pare um momento e escolha duas perguntas antes de continuar.

Pergunta 1: “O objetivo é recuperar o número de agendamentos ou a receita gerada por eles?” Se for volume, vale investigar procura e conversão da agenda; se for receita, preço, mix de procedimentos e faltas também ganham prioridade.

Pergunta 2: “A queda aparece em todas as unidades e especialidades, comparando o mesmo período do ano anterior?” Se estiver concentrada, a primeira análise deve localizar a unidade ou especialidade; se for ampla, causas compartilhadas se tornam mais plausíveis.

Suponha que o entrevistador responda: a meta é recuperar agendamentos realizados, não apenas solicitações, e a queda ocorre sobretudo em duas especialidades. A abertura então poderia ser: “Vou comparar solicitações, vagas oferecidas, agendamentos confirmados e comparecimentos nessas especialidades, por unidade e mês. Assim separo falta de demanda de perda entre o pedido e a consulta.” Não há diagnóstico ainda: há um primeiro teste coerente com as respostas.

Erros comuns na abertura

  • Começar pela solução: sugerir marketing antes de saber se faltaram pacientes ou horários disponíveis.
  • Fazer perguntas sem consequência: coletar detalhes que não mudam a estrutura, a prioridade ou uma premissa.
  • Confundir métricas: tratar solicitação, agendamento e consulta realizada como se fossem o mesmo resultado.
  • Insistir em informação indisponível: se o dado não existe no enunciado, declare uma hipótese provisória e explique como a verificaria.

Próximo passo de prática

Abra o case gratuito da Acey. Antes de revelar a referência, escreva duas perguntas de esclarecimento e, para cada uma, diga como respostas diferentes mudariam sua primeira análise. Depois siga para a estrutura do case e confira se ela responde ao objetivo que você confirmou.