O que o entrevistador quer descobrir
A conversa de fit tenta responder a perguntas simples: você já liderou ou influenciou pessoas? Já entregou algo difícil, com resultado concreto? Lida bem com conflito e com erro? Sabe por que quer consultoria e por que aquela firma? Cada firma dá um nome e um peso diferente a essa parte. A McKinsey, por exemplo, chama de Personal Experience Interview e costuma explorar uma única história em profundidade, com várias perguntas de acompanhamento. Confira sempre o material oficial da firma para o seu processo.
O ponto comum é que uma resposta genérica não se sustenta. “Sou bom em trabalhar em equipe” não é evidência. Uma situação específica, com o que você fez e o que mudou por causa disso, é.
Monte um banco de histórias
Liste situações dos últimos anos: faculdade, estágio, empresa júnior, esporte, trabalho voluntário, um projeto pessoal. Para cada uma, anote em que temas ela serve. Uma mesma história pode responder a mais de uma pergunta, mas evite depender de uma só.
- Liderança: você conduziu um grupo sem ter autoridade formal.
- Impacto: você mudou um resultado que dá para descrever com um antes e depois.
- Conflito: você discordou de alguém e resolveu sem quebrar a relação.
- Erro ou fracasso: algo deu errado por sua causa e você corrigiu.
- Iniciativa: você começou algo que ninguém pediu.
Conte em cinco partes
Uma estrutura simples evita o erro mais comum, que é gastar dois minutos no contexto e dez segundos na sua ação.
- Contexto: duas ou três frases. Onde, quando, quem estava envolvido.
- Desafio: o que estava em jogo e por que era difícil.
- Ação: o que você fez, em primeira pessoa. É a parte mais longa.
- Resultado: o que mudou. Use número quando existir; quando não existir, descreva a mudança observável.
- Aprendizado: o que você faria igual ou diferente hoje.
Um exemplo fictício
“Na empresa júnior, assumi um projeto de pesquisa de mercado que estava duas semanas atrasado, com a equipe desmotivada e o cliente pedindo para cancelar. Conversei com cada membro e descobri que ninguém sabia quem decidia o escopo. Propus ao cliente reduzir a pesquisa a duas perguntas centrais, redistribuí as entrevistas e marquei uma reunião curta de acompanhamento a cada dois dias. Entregamos na nova data e o cliente contratou um segundo projeto. Aprendi que, num atraso, o primeiro problema costuma ser de clareza, não de esforço.”
Repare que a ação ocupa a maior parte da fala e que cada passo é algo que a pessoa fez, não algo que “a equipe” fez.
Prepare-se para a segunda pergunta
O entrevistador vai puxar detalhes: “Por que você escolheu cortar o escopo?”, “O que você disse para o membro mais resistente?”, “O que teria acontecido se o cliente não aceitasse?”. Se a história for real e você souber os detalhes, essas perguntas ajudam. Se for exagerada, elas a desmontam. Para cada história, anote três perguntas difíceis e responda em voz alta.
“Por que consultoria?” e “por que esta firma?”
Evite respostas que servem para qualquer empresa. Ligue o que você já viveu ao trabalho de consultoria (resolver problemas diferentes, com prazo curto, trabalhando com clientes) e cite algo específico da firma que você descobriu conversando com pessoas de lá ou lendo o que ela publica.
Como treinar
Escrever ajuda a organizar, mas a entrevista é falada. Treine com outra pessoa que interrompa e aprofunde, como o entrevistador faria. Na Acey, você pode marcar um horário com alguém da comunidade e dividir a sessão: um case completo e, no fim, duas histórias de fit para cada um. Se quiser revisar a outra parte da entrevista, leia o método de case.